Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?

Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?


Dentre todos os fatores que interferem no desenvolvimento dos microrganismos, a temperatura é o mais importante. “Alguns microrganismos crescem mais rapidamente em altas temperaturas, outros em baixas. Mas, de modo geral, podemos considerar que a maioria dos microrganismos se desenvolve bem na faixa de temperatura entre 5°C a 65°C”, afirma Denise Andrade Khoury, professora do Curso a Distância CPT Produção de Salgados Finos para Festas, em Livro+DVD e Curso Online.

Essa faixa de temperatura é considerada como zona de risco, ou seja, é a faixa de temperatura em que os microrganismos podem se multiplicar e deteriorar os alimentos. Fora dela, ou seja, abaixo de 5°C ou acima de 65°C, temos as zonas de segurança, onde poucos microrganismos desenvolvem. É por isso que os alimentos perecíveis (aqueles que oferecem risco de deterioração rápida) são mantidos refrigerados ou congelados.

“Infelizmente, na zona de risco está a temperatura do nosso corpo e a dos ambientes de manipulação dos alimentos, o que favorece muito o desenvolvimento dos microrganismos”, acrescenta Denise. “Quanto mais tempo um alimento permanecer na zona de risco, maior será a proliferação dos microrganismos no mesmo. Por isso, o binômio tempo e temperatura vem sendo muito pesquisado para controlar, eliminar ou diminuir o número de microrganismos durante o processamento, a manipulação e distribuição dos alimentos.”

Os microrganismos que mais causam surtos de infecções e doenças em seres humanos são as bactérias. Apesar de a maioria delas reproduzir em ambientes com temperatura na faixa da zona de risco, existem algumas que não morrem mesmo quando a temperatura é mantida nas zonas de segurança. De acordo com a especialista, “nessas condições, elas ficam paralisadas, e, quando o ambiente fica propício, elas voltam a se desenvolver. É por isso que alimentos cozidos estragam quando são mantidos fora de ambientes refrigerados e desprotegidos”. Apesar de terem sido submetidos a uma condição de temperatura elevada a tal ponto que coloca o alimento, por determinado tempo, na zona de segurança (assamento ou fritura) essas bactérias não morrem. Assim, “quando o alimento é colocado em outra condição de temperatura, para ser consumido (zona de risco), as bactérias começam a se desenvolver. E, com o passar do tempo, poderão intensificar até comprometer a qualidade do alimento”, finaliza Denise.

As bactérias que causam os maiores surtos de toxinfecção são Salmonellas; Staphylococcus; Clostridium; e Escherichia colli. Já os fungos desenvolvem-se melhor em temperaturas entre 25°C e 30°C, sendo que alguns são considerados psicrófilos, pois preferem temperaturas abaixo de 10°C e poucos crescem na faixa de 55°C a 77°C.ir salgados para festas? Atenção especial à segurança alimentar! Artigos Cursos CPT

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Por Silvana Teixeira.

Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?

Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?

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Microrganismos extremófilos são ótimos exemplo de que a vida, de fato, sempre encontra um caminho (fãs de Jurassic park entenderão). Vários mecanismos de adaptação evoluíram em uma variedade de espécies microbianas, ao longo de milhões de anos, para permitir que esses microrganismos habitassem as zonas mais diferentes e inóspitas do planeta!

O termo extremófilo se refere aos microrganismos que possuem ótimas taxas de crescimento em condições ambientais severas, as quais normalmente são inviáveis para outras formas de vida. O modo como esses organismos conseguem viver tão bem nesses ambientes é uma boa fonte de exploração científica e de oportunidades biotecnológicas.

Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?
Microrganismos extremófilos são ótimos exemplos de processos adaptativos extraordinários. Fonte: Buzzfeed.

Existem várias classes de extremófilos de acordo com o tipo de situação ambiental (temperaturas muito altas ou baixas, presença de metais, valores extremos de pH, entre outros). Em muitos casos os extremófilos são tão adaptados aos seus ambientes que eles nem sequer são capazes de sobreviver em condições normais

Quer saber um pouco mais sobre os extremófilos? Acompanhe neste texto alguns dos principais exemplos e suas curiosidades. 

1 – Termófilos

Termófilos são microrganismos que conseguem sobreviver e se multiplicar em altas temperaturas, geralmente em uma faixa entre 40 a 70 ˚C. Grande parte dos membros desse grupo vivem em águas quentes associadas a atividades vulcânicas ou fontes hidrotermais.

Há algum tempo foram descobertas arqueas e algumas bactérias que crescem em temperaturas muito maiores, em torno de 80 ˚C, 100 ˚C ou até mais. É uma condição tão extrema que esses microrganismos são chamados de hipertermófilos, para diferenciar do grupo anterior. 

O recorde de temperatura já relatada é da espécie Methanopyrus kandleri, a única forma de vida no planeta que consegue suportar uma temperatura de 122 ˚C. Para muitos microrganismos termófilos e hipertermófilos, temperaturas mais amenas são fatais.

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Bactéria Thermus aquaticus, usada na PCR e isolada pela primeira vez em um parque de águas quentes nos EUA. Fonte: Wikimedia.

Um dos exemplos de maior sucesso da aplicação biotecnológica de extremófilos foi seu uso na PCR (veja uma melhor descrição dessa técnica aqui). A enzima DNA polimerase, responsável por sintetizar as fitas novas de DNA no processo, foi obtida da bactéria Thermus aquaticus. A vantagem da enzima é sua termoestabilidade, capaz de suportar os ciclos de temperatura da PCR, e sua ótima atividade em alta temperatura (entre 72-80˚C).

2 – Halófilos

Uma célula microbiana comum perderia água até secar se estivesse em um ambiente muito salino. Porém, para um seleto grupo de microrganismos chamados halófilos, viver sob alta salinidade não é um problema. Halófilos possuem mecanismos de adaptação que impedem os efeitos maléficos do excesso de sais.

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As microalgas Dunaliella salina são uma espécie de halófilos extremos, presentes no Mar Morto e outros lagos hiper-salinos. Fonte: Researchgate. 

Esses microrganismos habitam algumas das regiões mais salgadas do planeta, como o Mar Morto em Israel e o Grande Lago Salgado nos EUA, entre outros exemplos. Para se ter uma ideia, a concentração de sais no Mar Morto é em média 10 vezes maior do que no oceano,  o que acaba sendo fatal para quase toda forma de vida.

Um fato interessante é que muitas vezes os halófilos utilizam pigmentos em seu processo de obtenção de energia. Como resultado, vários lagos habitados por microrganismos halofílicos possuem um aspecto colorido, geralmente em tom avermelhado. A Halobacterium salinarumé um dos principais exemplos desse grupo.

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Lagoas de sal avermelhadas devido atividade metabólica de halófilos. Fonte: Futurism.

Os halófilos podem ser peças chaves para processos de biorremediação, pois muitos agentes químicos poluidores formam altas concentrações de sais no ambiente, inibindo o crescimento de outras formas de vida. Algas halófilas do gênero Dunaliella são a principal fonte de betacaroteno comercial, um pigmento com vários usos industriais.

3 – Psicrófilos

Psicrófilos vivem no extremo oposto dos termófilos. São microrganismos que se reproduzem em baixas temperaturas, de no máximo 20 ˚C, e que possuem uma temperatura ótima de crescimento de até 15 ˚C. Muitas espécies vivem em regiões com frio abaixo de zero.

Encontrar e caracterizar psicrófilos é um dos principais motivos para expedições nas regiões polares da Terra. Esses organismos também podem ser encontrados em altas altitudes ou nas profundezas do oceano. A menor temperatura para atividade microbiana parece ser próxima aos 20 ˚C negativos (embora possa mudar com novas descobertas).

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A Antártica abriga várias espécies microbianas que conseguem viver em temperaturas negativas. Fonte: Pixabay.

Um dos principais problemas da vida microbiana no gelo é, ironicamente, acesso à água. Quando a água em estado líquido existe, costuma conter alta concentração de sais, acidez ou potencial oxidativo. Por esse motivo, é comum que psicrófilos sejam “poli-extremófilos“, isto é, adaptados a mais de uma condição extrema. 

Enzimas extraídas de psicrófilos podem ter muitas aplicações industriais. A empresa Novozymes já patenteou várias enzimas psicrófilas para serem usadas na produção de detergentes enzimáticos. Os psicrófilos também são estudados no intuito de se encontrar novas moléculas com potencial antimicrobiano para uso clínico. 

4 – Acidófilos

Acidófilos são microrganismos que, como o nome sugere, vivem em ambientes ácidos. Ambientes com pH menor que 4 são muito ácidos para a maioria dos seres vivos, e em geral existem devido à atividade vulcânica ou à mineração, embora haja exceções.

Os acidófilos mais extremos que existem são arqueas do gênero Picrophilus. As duas espécies de Picrophilus (P. oshimae and P. torridus) conseguem viver, incrivelmente, em valores de pH em torno de zero! Isso significa pura acidez, o que poderia ser usado para corroer um tecido vivo. As espécies foram encontradas no Japão na década de 1990.

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Rio Tinto (Espanha), conhecido pela extrema acidez (pH 2 – 2,5), abriga espécies acidófilas como Acidithiobacillus ferroxidans e Ferroplasma acidophilum. Fonte: Wikimedia.

Enzimas acidófilas também possuem muita aplicação comercial, especialmente na área de alimentos. Porém, um potencial inovador para os acidófilos é seu uso na geração de bioenergia. É uma ideia ainda em desenvolvimento, baseada na tecnologia de Célula Combustível Microbiana (CCM), a qual consiste em utilizar energia química para gerar energia elétrica, através da ação de microrganismos.

Gostou de conhecer essas classes de extremófilos? O interesse por esses microrganismos cresce cada vez mais no campo da pesquisa devido a variedade de características e adaptações únicas que eles possuem. Existe muito potencial biotecnológico nas extremoenzimas (enzimas provenientes de extremófilos), que pode ser aplicado para áreas da saúde, indústria, meio ambiente, e outras ainda nem sequer exploradas!

Um outro campo que vem crescendo e que tem tudo a ver com extremófilos é a astrobiologia. A descoberta de microrganismos vivendo em condições tão diferentes do que geralmente vivem a maioria dos animais, despertou muitos questionamentos sobre os limites de habitabilidade no universo. Confira mais sobre esse assunto nesse texto.

Continue acompanhando nossas publicações para conhecer mais sobre o universo da microbiologia aplicada! 

Como são chamadas as bactérias que crescem a uma temperatura em torno de 4º C?
Texto revisado por Letícia Cruz e Ísis VenturiReferências:
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Como as bactérias são classificadas de acordo com a temperatura de crescimento?

E, de acordo com o seu ótimo, podemos classificar os microrganismos como termófilos, cujo ótimo se localiza em torno de 60°C; psicrófilos, ótimo em 10°C; mesófilas, ótimo está entre 20 e 40°C; e psicrotróficos, temperatura ótima entre 25 e 30°C, mas crescem sob refrigeração.

Quais as 4 fases do crescimento bacteriano?

A curva de crescimento pode ser dividida em quatro fases: fase lag, fase log, ou exponencial, fase estacionária e fase de declínio ou morte celular.

Como são denominadas o grupo de bactérias que crescem em baixas temperaturas?

Psicrófilos são microrganismos que crescem em baixas temperaturas. Mesófilos são microrganismos que crescem em temperatura ambiente. Termófilos são microrganismos que crescem em altas temperaturas.

Qual a classificação dos bactérias que vivem em temperaturas muito altas?

Termófilos são microrganismos que conseguem sobreviver e se multiplicar em altas temperaturas, geralmente em uma faixa entre 40 a 70 ˚C. Grande parte dos membros desse grupo vivem em águas quentes associadas a atividades vulcânicas ou fontes hidrotermais.