O que é transtorno mental e quais são suas principais causas e fatores que propiciam seu desenvolvimento?

Os transtornos mentais (psiquiátricos ou psicológicos) incluem as alterações de pensamento, emoções e/ou comportamento. Pequenas alterações nesses aspectos da vida são comuns, mas quando essas alterações causam angústia significativa à pessoa e/ou interferem na sua vida cotidiana, elas são consideradas uma doença mental ou um transtorno de saúde mental. Os efeitos de uma doença mental podem ser duradouros ou temporários.

Ainda que se tenha alcançado grandes avanços na compreensão e no tratamento das doenças mentais, o estigma que as rodeia ainda persiste. Por exemplo, a pessoa com doença mental pode ser culpada pela sua doença ou considerada preguiçosa ou irresponsável. A doença mental pode ser interpretada como menos real ou legítima do que a doença física, gerando desinteresse no que diz respeito ao pagamento do tratamento por parte dos responsáveis de saúde e das companhias de seguros. No entanto, a crescente conscientização sobre o quanto a doença mental afeta os custos dos planos de saúde e o número de dias de trabalho perdidos está mudando essa tendência.

Nem sempre é possível diferenciar com clareza uma doença mental de um comportamento normal. Por exemplo, pode ser difícil diferenciar a mágoa normal causada pelo luto da depressão propriamente dita em pessoas que sofreram uma perda significativa, como a morte do cônjuge ou de um filho, porque ambas englobam tristeza e humor deprimido.

Assim, a melhor linha de pensamento é considerar a saúde mental e a doença mental como integrantes de um espectro contínuo. Uma eventual linha divisora costuma se basear nos seguintes quesitos:

  • A gravidade dos sintomas

  • Por quanto tempo os sintomas duram

  • De que maneira os sintomas afetam a capacidade de funcionamento na vida diária

Atualmente, considera-se que a doença mental é causada por uma interação complexa de fatores, incluindo fatores:

  • Genética

  • Biológicos (fatores físicos)

  • Psicológico

  • Ambientais (incluindo fatores sociais e culturais)

A pesquisa tem demonstrado que fatores genéticos influenciam muitos transtornos de saúde mental. Frequentemente, um transtorno de saúde mental ocorre em uma pessoa cuja composição genética a torna vulnerável a esses transtornos. Essa vulnerabilidade, juntamente com os estresses da vida, por exemplo, problemas com a família ou trabalho, podem dar origem ao desenvolvimento de um transtorno mental.

Além disso, muitos especialistas acreditam que uma disfunção no controle dos mensageiros químicos no cérebro (neurotransmissores) pode contribuir para os transtornos de saúde mental. Técnicas de diagnóstico por imagem como, por exemplo, ressonância magnética Ressonância magnética (RM) Na ressonância magnética (RM), um forte campo magnético e ondas de rádio de muito alta frequência são utilizados para produzir imagens em alto grau de detalhe. A RM não usa raios X e é normalmente... leia mais

O que é transtorno mental e quais são suas principais causas e fatores que propiciam seu desenvolvimento?
(RM) e tomografia por emissão de pósitrons Tomografia por emissão de pósitrons (PET) A tomografia por emissão de pósitrons (Positron Emission Tomography, PET) é um tipo de cintilografia. Um radionuclídeo é uma forma radioativa de um elemento, o que significa que ele é um átomo... leia mais
O que é transtorno mental e quais são suas principais causas e fatores que propiciam seu desenvolvimento?
(TEP), frequentemente mostram alterações no cérebro de pessoas com transtorno de saúde mental. Por isso, muitos transtornos de saúde mental parecem ter um componente biológico, semelhantemente aos transtornos que são considerados neurológicos Introdução aos sintomas de doenças do cérebro, da medula espinhal e dos nervos Doenças que afetam o cérebro, a medula espinhal e os nervos são chamadas doenças neurológicas. Os sintomas neurológicos são causados por um transtorno que afeta parte de ou todo o sistema nervoso... leia mais (por exemplo, a doença de Alzheimer Doença de Alzheimer A doença de Alzheimer é a perda progressiva da função mental, caracterizada pela degeneração do tecido do cérebro, incluindo a perda de células nervosas, a acumulação de uma proteína anormal... leia mais ). Contudo, ainda não está claro se as alterações observadas nos exames de imagem são a causa ou o resultado do transtorno de saúde mental.

Em décadas recentes, surgiu um movimento para trazer pessoas mentalmente doentes para fora das instituições (desinstitucionalização) e ampará-las de modo que elas possam viver em comunidade. Esse movimento tornou-se possível com o desenvolvimento de medicamentos eficazes em conjunto com algumas mudanças de atitude com relação aos doentes mentais. Devido a esse movimento, foi colocada uma ênfase maior na visão de que pessoas com doenças mentais pertencem a famílias e comunidades. Uma decisão da Suprema Corte dos EUA em 1999 contribuiu significativamente para essa mudança. Essa decisão, denominada decisão Olmstead, requer que os estados providenciem tratamento de saúde mental em comunidades sempre que essa iniciativa for considerada medicamente apropriada.

Pesquisas demonstram que determinadas interações entre uma pessoa com doença mental grave e membros da família podem melhorar ou piorar a doença mental. Nesse sentido, desenvolveram-se técnicas de terapia familiar que evitam a necessidade de readmitir pessoas com doenças mentais crônicas em instituições de saúde mental. Atualmente, a família de uma pessoa com uma doença mental envolve-se mais do que nunca no tratamento, como uma aliada. O clínico geral também desempenha um papel importante na reabilitação e na reintegração da pessoa com doença mental na sociedade.

Além disso, uma vez que houve um aperfeiçoamento na eficácia da farmacoterapia, há uma chance menor, em relação ao que era antigamente, de que as pessoas com doença mental que precisassem ser internadas precisem ser colocadas em isolamento ou contenção física. Além disso, elas frequentemente recebem alta e são transferidas para centros de tratamento de dia no prazo de poucos dias. Esses centros de tratamento de dia custam menos que as instituições que internam os pacientes, porque precisam menos de pessoal, dão ênfase à terapia de grupo em vez da terapia individual e os pacientes pernoitam em seu domicílio ou em albergues em vez de no hospital.

Contudo, a desinstitucionalização trouxe seus próprios problemas. O tratamento necessário e a proteção contra danos que costumavam ser oferecidos nas instituições não foram devidamente substituídos por serviços comunitários de saúde mental devido à falta de recursos financeiros. Assim, muitas pessoas não têm conseguido receber o cuidado com a saúde mental de que precisam. Além disso, as leis atuais impedem que pessoas com doença mental que não sejam um perigo para si mesmas ou para a sociedade sejam internadas em hospitais psiquiátricos ou medicadas contra sua vontade, o que representa um problema específico, uma vez que alguns transtornos mentais sérios são caracterizados pela falta de consciência de que a pessoa tem um problema de saúde mental (anosognosia). Assim, muitas pessoas que adoecem novamente fora do hospital se tornam sem teto ou acabam indo para a prisão. Muitas delas morrem jovens devido à exposição aos elementos, infecção ou problemas médicos sem tratamento adequado. Ainda que essas medidas legais protejam os direitos civis das pessoas, elas fazem com que seja mais difícil proporcionar o tratamento de que muitos doentes mentais necessitam, sendo que alguns podem agir de forma extremamente irracional se não tratados.

Devido aos problemas relativos à desinstitucionalização, novos tipos de tratamento, como o tratamento comunitário assertivo (TCA), foram desenvolvidos. Eles auxiliam na formação de uma rede de proteção para pessoas com doenças mentais crônicas sérias. O TCA utiliza uma equipe de assistentes sociais, especialistas em reabilitação, conselheiros, enfermeiras e psiquiatras (uma equipe multidisciplinar). A equipe presta serviços individualizados a pessoas que sofrem de doenças mentais graves e que não podem, ou não querem, procurar auxílio médico ou uma clínica. Os serviços são prestados na casa da própria pessoa ou na vizinhança, por exemplo, em restaurantes, parques ou lojas próximas.

Todas as pessoas necessitam de uma rede social para satisfazer a necessidade humana de serem tratadas, aceitas e apoiadas emocionalmente, sobretudo em períodos de estresse. As investigações demonstraram que um apoio social solidário pode acelerar de forma significativa a recuperação de doenças físicas e mentais. Mudanças na sociedade diminuíram o tradicional apoio que, antigamente, os vizinhos e os familiares proporcionavam. Alternativamente, surgiram grupos de autoajuda e de ajuda mútua em muitos países.

Alguns grupos de autoajuda como os Alcoólicos Anônimos ou os Narcóticos Anônimos, dedicam-se ao comportamento dependente. Outros atuam como defensores de determinados segmentos da população, como pessoas com deficiência e idosos. Ademais, há centros, como a Aliança Nacional para Doentes Mentais (National Alliance for the Mentally Ill), que dão apoio aos familiares de pessoas com doenças mentais graves.

O seguinte é um recurso em inglês que pode ser útil. Vale ressaltar que O MANUAL não é responsável pelo conteúdo deste recurso.

  • National Alliance on Mental Illness (NAMI): Uma associação norte-americana de saúde mental que oferece aconselhamento, educação, apoio e programas e serviços de conscientização pública.

Quais são as principais causas de transtorno mental?

Estresse, genética, nutrição, infecções perinatais e exposição a perigos ambientais também são fatores que contribuem para os transtornos mentais.

O que é um problema mental?

As doenças mentais, também chamadas de transtornos de saúde mental, referem-se a uma ampla gama de condições de saúde mental — transtornos que afetam seu humor, pensamento e comportamento.

Quais fatores contribuem para o desenvolvimento de transtornos mentais na adolescência?

Fatores emocionais como rejeição, bullying, exclusão, falta de apoio, negligência com a qualidade de vida e ambientes sociais pouco promissores, além de fatores genéticos, contribuem para desencadear comportamentos que podem levar ao surgimento de alguns transtornos.